terça-feira, 30 de setembro de 2014

Só Pra Começar

Um dia a caneta pareceu pesada demais e o papel insignificante,  perdi uma parte de mim nesse mesmo dia.
As palavras tão presentes em cada célula do meu corpo não sabiam mais sair, não queriam mais.... Foram tantas palavras. Tantas vezes que dediquei versos, parágrafos e anedotas ao vento que um dia eles simplesmente se recusaram a sair.
Acho que foi uma rebelião, uma proteção e um tempo sabático válido. Aprendi nesse tempo o valor de algumas palavras e a veracidade de alguns sentimentos.
Não posso dizer que agora sou uma jovem comedida, na verdade, sou muito mais esparramada. Enfim, libertei-me da minha prisão sem grades e deixei aquelas palavras que não tinham receptores ganharem sua própria forma e expressão. Essa expressão tão primitiva que é o falar tomou conta de mim, agora não sou mais alguém que se esconde atrás de rascunhos obtusos e sim alguém que exprime o que foi escrito nos mesmos, doce ar de liberdade!
Porém, naqueles dias em que as palavras afogam-se dentro de nós e não conseguimos distinguir os pensamentos, tudo é muito rápido, tudo é tão abrangente, palavras rodando, a voz não sai.... Enlouquecer e absorver.
E são nesses dias que a caneta, tão pesada, fazia falta... Mas, escrever por que? Pra quem? O que e como?
Se num dia fui menina romântica e no outro menina sofrida...
Senti muita falta disso e só agora percebo que essa é uma parte de mim que nunca se foi, se rascunhou nas paredes dos meus pensamentos esperando o momento de sair.
Essa é minha terapia, essa é minha alma se abrindo e acredito que fechei ela por muito tempo, mas fechar-se em meio a vida é como fechar as cortinas no meio do espetáculo.
Enfim, voltei.